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Sistema em morbidade e o estado de policrise

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  Este texto propõe uma reflexão sobre como as Big Techs vêm acelerando o colapso de uma era em que a linguagem, a arte, o afeto e a política ainda eram forças vivas na produção de sentido e na construção do real. Em seu lugar, instala-se o domínio do trabalho morto — automatizado, destituído de espírito, regido por algoritmos que operam sem memória e sem desejo. Trata-se, assim, de provocar reflexões sobre o que ainda pode ser feito diante do esvaziamento da experiência humana e da captura do tempo pelo maquinismo digital. Resta-nos indagar: o que fazer com o futuro, se é que ainda nos resta algum? Apoiando-se em autores como István Mészáros, Edgar Morin, Renato Peixoto Dagnino, Franco “Bifo” Berardi, e outros, o texto pretende problematizar tal questão como uma forma de questionar a tendência a que chamo de “flautista de Hamlet” que cega multidões e que certamente cobrará seu preço. Aqui me refiro a cegueira da Tecnociência Capitalista, engendrada pela lógica do lucro, ...

Por que discordo da interpretação da Teoria Marxista da Dependência? Por Renato Dagnino

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  Renato Dagnino O autor de “As ilusões da esquerda liberal” ( https://aterraeredonda.com.br/as-ilusoes-da-esquerda-liberal/ ), sintetiza com propriedade a interpretação-padrão adotada pela Teoria Marxista da Dependência para explicar nossa realidade periférica. “Dada a condição de periferia, o país entra na divisão internacional do trabalho produzindo e vendendo mercadorias de menor valor que países do centro e com uma produção que atende necessidades externas – alimentos e matérias-primas, por exemplo – e não internas. Dessa desigualdade no intercâmbio surge uma transferência de valor da periferia para o centro, fazendo com que os países da periferia precisem compensar, de alguma forma, essa transferência de valor. Daí, então, que o capitalismo brasileiro produz a superexploração da força de trabalho. Superexploração significa superutilizar a mercadoria força de trabalho para se extrair um mais-valor excedente ainda maior, de forma a compensar aquela transferência de val...

Uso indevido do conhecimento tecnocientífico

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  Venho refletindo sobre a forma como as pessoas se referem aquilo que é ciência ou não é, aquilo que é científico ou não é.  "É gozado como as pessoas se apropriam da expressão “ciência” quando se quer vencer um debate e se diz que os seus argumentos são científicos, ou são baseados em ciência." Essa afirmação era feita por um dos grandes intelectuais da América Latina na década de 1970, o argentino Amílcar Herrera. Vou utilizá-la para abrir este texto, para ser mais claro ao leitor. Com o objetivo de desconstruir essa apropriação do termo, que a meu ver é indevida, vou utilizar alguns argumentos tendo por base autores de grande calibre. Para introduzir os meus argumentos primeiramente devo explicar o porquê este uso se caracteriza como sendo indevido. A chave do raciocínio começa pelo fato de que a ciência, diferentemente do senso comum, ou do pensamento religioso, tem como um de seus pilares, tal como ela foi definida por René Descartes a partir da sua concepçã...

Por uma política nacional de incentivo ao associativismo e ao cooperativismo

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A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) surge do movimento trabalhista na década de 1930, vindo da astúcia de um certo gaúcho. A jogada política de Getúlio Vargas foi genial.  Se por um lado ele fez com que o Estado assumisse uma posição de forma que o movimento comunista não pudesse se contrapor a ele, e que seduzisse a classe trabalhadora a ponto de fazer com que ela valorizasse menos ou não precisasse da luta social comunista, por outro lado, as classes proprietárias ficaram satisfeitas ao dispor de uma regulamentação trabalhista que fosse adequada à sua necessidade de expansão naquele momento.  Tão astuto era o velho Vargas que ele fez com que o sindicalismo passasse para o controle integral do Estado, enquanto isso os trabalhadores se colocavam numa confortável (falsa) sensação de que o sindicalismo funcionava a todo vapor em favor deles. De lá para cá muita coisa mudou...ou nem tanto. Tenho escutado muitas queixas das pessoas que encontro, que me relatam sobre a "trist...
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 Dificilmente os países do centro serão alcançados pelos países periféricos, obviamente isso não é algo impossível. Entretanto, essa explicação me parece muito didática. Apesar de ter sido um modelo utilizado durante décadas para explicar o subdesenvolvimento, o ideal de progresso tecnológico (e de progresso econômico) tende a negá-lo. Assim, o que se fala atualmente é que alguns países da periferia são países "emergentes" ou "em desenvolvimento". 

Análise de Conjuntura Jan. 2024.

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           Para além de uma análise meramente cientificista, este texto pretende mostrar como a nossa Política Cognitiva (Políticas de educação, especialmente o ensino superior e políticas de ciência e tecnologia) é incongruente com as reais necessidades da população, especialmente a mais pobre. Para isso ele foge do academicismo e chama a atenção para os aspectos mais relevantes da crise estrutural do capital. Em seguida ele apresenta a saída que temos diante da problemática. A Economia Solidária como estratégia de desenvolvimento social econômico. Contudo, o aprofundamento e complexidade da crise exige repensar a forma como as universidades e as demais instituições de ciência e tecnologia vem elaborando as suas políticas de ciência, tecnologia e inovação.       Como um dos legados malditos da ditadura militar, da década perdida e posteriormente com a década de ascensão neoliberal, a educação no Brasil hoje pode ser definida de uma for...