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A simbiose: dor e amor.

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Título da poesia:  A simbiose: dor e amor. Autor da poesia: Marco Antônio Baleeiro Alves Primeiro mergulhei no teu olhar, abismo manso que atravessou minh’alma. E, depois, sedento do teu beijo, afoguei-me nos teus lábios molhados, quentes e cheios de volúpia. Imerso nas contradições da vida, senti teus dentes ferirem meus lábios como quem ensina ao coração que amar é se esquecer de si para existir no outro. Há dores que nascem do amor e, por isso mesmo, florescem:  A primeira foi aquela que abriu o ventre ao mundo. e essa outra dor, doce e febril, que punge, devora e dá prazer de desejar teu beijo mais uma vez, e outra vez, e mais outra vez. Quero fazer crescer o que é nosso no calor insondável dos nossos corpos, na chama silenciosa que une carne, desejo e destino. Quero-te inteira, como inteiro é o meu coração que pulsa em meu peito. Devora-me com teu beijo, e serás o pão da minha fome, o vinho da minha sede, o alimento que nutre minh’alma....

Poesia do olhar

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Título da poesia: Poesia do olhar.   Autor: Marco Antônio Baleeiro Alves Musa inspiradora: Naygara Suemer Ficaria o dia inteiro contemplando os teus olhos, sem jamais cansar. Há neles algo que atravessa — belo e indecifrável  como se guardassem  um segredo antigo. Teus olhos sorriem sem boca, sem rosto, sem nome, e eu não sei se esse sorriso é para mim ou se é assim mesmo. Se tem algum motivo original ou se eles olham sempre assim. Pois quando fito esse olhar eles olham para mim, e eu já não sei o que é olhar. Não sei que idade têm — se são de criança, curiosos e inquietos, ou de adulto, profundos e cheios de mundo. Ou de uma deusa que atravessou as eras até aqui Sei apenas que brincam com a minha imaginação, e eu, sem resistência, entro no jogo. Neles, me vejo lançado a um horizonte suspenso, onde a luz do entardecer se espalha devagar, tingindo o céu de amarelos, vermelhos, lilases, rosas e azuis tão leves que parecem não existir. Tudo ali respira calma, si...

Escuta o bater do coração

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  Título da poesia: Escuta o bater do coração.  Autor: Marco Antônio Baleeiro Alves Quisera eu compor versos sobre teu beijo Tola inocência a minha Ao saber que teu beijo já é a mais pura poesia para mim Ao te beijar me vejo imerso na energia da vida, tocando dimensões que o silêncio da noite desconhece. Quero-te como a noite deseja a manhã e seus raios de sol. Busco-te como pássaros em revoada ao encontro de seus ninhos. Espero-te na estrada que leva ao coração. Escuto-te na mais linda canção. Sonho contigo. Muito te quero!

Sistema em morbidade e o estado de policrise

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Este texto propõe uma reflexão sobre como as Big Techs vêm acelerando o colapso de uma era em que a linguagem, a arte, o afeto e a política ainda eram forças vivas na produção de sentido e na construção do real. Em seu lugar, instala-se o domínio do trabalho morto — automatizado, destituído de espírito, regido por algoritmos que operam sem memória (falo de memória viva, em um sentido de conjunção afetiva) e sem desejo. Trata-se, assim, de provocar reflexões sobre o que ainda pode ser feito diante do esvaziamento da experiência humana e da captura do tempo pelo maquinismo digital. Resta-nos indagar: o que fazer com o futuro, se é que ainda nos resta algum? Apoiando-se em autores como István Mészáros, Edgar Morin, Renato Peixoto Dagnino, Franco “Bifo” Berardi, e outros, o texto pretende problematizar tal questão como uma forma de questionar o que chamo de "efeito flautista de Hamlet”, metáfora que utilizo para o fenômeno atual de desinformação global, que cega multidões e que ...

Por que discordo da interpretação da Teoria Marxista da Dependência? Por Renato Dagnino

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  Renato Dagnino O autor de “As ilusões da esquerda liberal” ( https://aterraeredonda.com.br/as-ilusoes-da-esquerda-liberal/ ), sintetiza com propriedade a interpretação-padrão adotada pela Teoria Marxista da Dependência para explicar nossa realidade periférica. “Dada a condição de periferia, o país entra na divisão internacional do trabalho produzindo e vendendo mercadorias de menor valor que países do centro e com uma produção que atende necessidades externas – alimentos e matérias-primas, por exemplo – e não internas. Dessa desigualdade no intercâmbio surge uma transferência de valor da periferia para o centro, fazendo com que os países da periferia precisem compensar, de alguma forma, essa transferência de valor. Daí, então, que o capitalismo brasileiro produz a superexploração da força de trabalho. Superexploração significa superutilizar a mercadoria força de trabalho para se extrair um mais-valor excedente ainda maior, de forma a compensar aquela transferência de val...

Uso indevido do conhecimento tecnocientífico

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  Venho refletindo sobre a forma como as pessoas se referem aquilo que é ciência ou não é, aquilo que é científico ou não é.  "É gozado como as pessoas se apropriam da expressão “ciência” quando se quer vencer um debate e se diz que os seus argumentos são científicos, ou são baseados em ciência." Essa afirmação era feita por um dos grandes intelectuais da América Latina na década de 1970, o argentino Amílcar Herrera. Vou utilizá-la para abrir este texto, para ser mais claro ao leitor. Com o objetivo de desconstruir essa apropriação do termo, que a meu ver é indevida, vou utilizar alguns argumentos tendo por base autores de grande calibre. Para introduzir os meus argumentos primeiramente devo explicar o porquê este uso se caracteriza como sendo indevido. A chave do raciocínio começa pelo fato de que a ciência, diferentemente do senso comum, ou do pensamento religioso, tem como um de seus pilares, tal como ela foi definida por René Descartes a partir da sua concepçã...

Por uma política nacional de incentivo ao associativismo e ao cooperativismo

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A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) surge do movimento trabalhista na década de 1930, vindo da astúcia de um certo gaúcho. A jogada política de Getúlio Vargas foi genial.  Se por um lado ele fez com que o Estado assumisse uma posição de forma que o movimento comunista não pudesse se contrapor a ele, e que seduzisse a classe trabalhadora a ponto de fazer com que ela valorizasse menos ou não precisasse da luta social comunista, por outro lado, as classes proprietárias ficaram satisfeitas ao dispor de uma regulamentação trabalhista que fosse adequada à sua necessidade de expansão naquele momento.  Tão astuto era o velho Vargas que ele fez com que o sindicalismo passasse para o controle integral do Estado, enquanto isso os trabalhadores se colocavam numa confortável (falsa) sensação de que o sindicalismo funcionava a todo vapor em favor deles. De lá para cá muita coisa mudou...ou nem tanto. Tenho escutado muitas queixas das pessoas que encontro, que me relatam sobre a "trist...