Poesia do olhar
Título da poesia: Poesia do olhar.
Autor: Marco Antônio Baleeiro Alves
Musa inspiradora: Naygara Suemer
Ficaria o dia inteiro contemplando os teus olhos, sem jamais cansar.
Há neles algo que atravessa — belo e indecifrável
como se guardassem um segredo antigo.
Teus
olhos sorriem sem boca, sem rosto, sem nome,
e eu não sei se
esse sorriso é para mim ou se é assim mesmo.
Se tem algum motivo original ou se eles olham sempre assim.
Pois quando fito esse olhar eles olham para mim, e eu já não sei o que é olhar.
Não sei que idade têm —
se são de criança, curiosos e inquietos,
ou de adulto, profundos e cheios de mundo.
Ou de uma deusa que atravessou as eras até aqui
Sei apenas que
brincam com a minha imaginação,
e eu, sem resistência, entro no jogo.
Neles,
me vejo lançado a um horizonte suspenso,
onde a luz do
entardecer se espalha devagar,
tingindo o céu de amarelos,
vermelhos, lilases,
rosas e azuis tão leves que parecem não
existir.
Tudo ali respira calma, silêncio, imensidão.
E
então, em um instante mínimo, quase nada,
tudo se desfaz —
e
restam apenas duas esferas,
claras e escuras, uma dentro da
outra,
a me olhar por dentro, fito o infinito mistério.
Há
nesse mistério algo que escapa à percepção,
um não sei o
quê que flameja em chama, inquieta e acalma.
Talvez haja risco,
um abismo silencioso,
como um planeta esquecido na borda do céu
cintilando bem distante.
Mas isso pouco importa.
Porque, antes mesmo de pensar em voltar,
eu já me perdi outra vez
no magnetismo desse olhar.
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